Nota de Imprensa
Um sistema solar em construção? Encontrados dois planetas a formarem-se num disco em torno duma estrela jovem
24 de Março de 2026
Os astrónomos observaram a formação de dois planetas no disco em torno da estrela jovem WISPIT 2. Tendo já sido detectado anteriormente um planeta em torno desta estrela, a equipa recorreu agora aos telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO) para confirmar a presença dum outro. Estas observações, juntamente com a estrutura única do disco em torno desta estrela, indicam que o sistema WISPIT 2 poderá assemelhar-se ao nosso Sistema Solar quando este era jovem.
"O WISPIT 2 é a melhor vista que temos, até agora, do nosso próprio passado", afirma Chloe Lawlor, aluna de doutoramento na Universidade de Galway, na Irlanda, e autora principal do estudo publicado hoje na revista da especialidade The Astrophysical Journal Letters.
Este sistema é apenas o segundo conhecido, depois de PDS 70, em que dois planetas foram observados diretamente a formarem-se em torno da sua estrela progenitora. Ao contrário de PDS 70, porém, o WISPIT 2 possui um disco de formação planetária bastante grande, com espaços vazios e anéis muito distintos. "Estas estruturas sugerem que temos atualmente mais planetas a formarem-se neste disco, os quais certamente detectaremos também, mais cedo ou mais tarde", explica Lawlor.
"O WISPIT 2 proporciona-nos um laboratório perfeito para observar não apenas a formação de um planeta individual, mas também a de um sistema planetário completo", diz Christian Ginski, coautor do estudo e investigador na Universidade de Galway. Com estas observações, os astrónomos procuram compreender melhor como é que os sistemas planetários bebés evoluem para se tornarem sistemas como o nosso Sistema Solar.
O primeiro planeta recém formado descoberto neste sistema — denominado WISPIT 2b — foi detectado o ano passado. Este objeto possui uma massa quase cinco vezes superior à de Júpiter e orbita a estrela central a uma distância equivalente a aproximadamente 60 vezes a distância entre a Terra e o Sol. "A detecção dum novo mundo em formação demonstrou verdadeiramente o enorme potencial dos nossos atuais instrumentos", afirma Richelle van Capelleveen, estudante de doutoramento no Observatório de Leiden, nos Países Baixos, e líder do estudo que descobriu WISPIT 2b. Agora, e depois de ter sido identificado mais um objeto perto da estrela [1], medições realizadas com o Very Large Telescope (VLT) do ESO e o Interferómetro do VLT (VLTI) confirmaram que este objeto era, de facto, outro planeta, WISPIT 2c. O novo planeta encontra-se quatro vezes mais próximo da estrela central e tem o dobro da massa de WISPIT 2b. Ambos são gigantes gasosos, tal como os planetas exteriores do nosso Sistema Solar.
Para confirmar a existência de WISPIT 2c, a equipa utilizou o instrumento SPHERE do VLT do ESO, que capturou uma imagem do objeto. A equipa recorreu seguidamente ao instrumento GRAVITY+ do VLTI para confirmar que o objeto era, de facto, um planeta. "O nosso estudo utilizou a recente atualização GRAVITY+, sem a qual não teríamos conseguido obter uma detecção tão clara dum planeta tão próximo da sua estrela", afirma Guillaume Bourdarot, coautor do estudo e investigador no Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, em Garching, na Alemanha.
Ambos os planetas de WISPIT 2 surgem em espaços abertos bem definidas no disco de gás e poeira que orbita esta estrela jovem. Estes espaços no disco resultam do desenvolvimento de cada planeta: as partículas no disco coalescem e a sua gravidade atrai mais material até se formar um planeta embrionário, o chamado protoplaneta. O material que sobra, em volta de cada espaço, dá origem a anéis de poeira bem característicos destes discos.
Para além dos dois espaços vazios onde os dois planetas foram encontrados, existe pelo menos mais um, mais pequeno e mais afastado, no disco de WISPIT 2. "Suspeitamos que exista um terceiro planeta em formação neste espaço", explica Lawlor, "possivelmente com a massa de Saturno, dado que o espaço é mais estreito e menos profundo". A equipa está ansiosa por realizar observações de seguimento. "Com o futuro Extremely Large Telescope do ESO, poderemos provavelmente obter imagens diretas de tal planeta", diz Ginski.
Notas
[1] Os primeiros indícios da presença de um segundo planeta surgiram de observações realizadas com o instrumento MagAO-X da Universidade do Arizona, instalado nos Telescópios Magellan de 6,5 metros no Chile, e com o LMIRcam da Universidade da Virgínia, instalado no Interferómetro do Large Binocular Telescope nos EUA.
Informações adicionais
Este trabalho de investigação foi descrito num artigo científico publicado na revista da especialidade The Astrophysical Journal Letters.
A equipa é composta por: C. Lawlor (School of Natural Sciences, Centre for Astronomy e Ryan Institute, University of Galway, Irlanda [Galway]), R. F. van Capelleveen (Observatório de Leiden, Universidade de Leiden, Países Baixos [Leiden]), G. Bourdarot (Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, Garching, Alemanha [MPE]), C. Ginski (Galway e Center for Astronomical Adaptive Optics, Department of Astronomy, University of Arizona, Tucson, EUA [CAAO]), M. A. Kenworthy (Leiden), T. Stolker (Leiden), L. Close (CAAO), A. J. Bohn (Leiden), F. Eisenhauer (MPE e Departamento de Física, Universidade Técnica de Munique, Garching, Alemanha), P. Garcia (Faculdade de Engenharia, Universidade do Porto, e CENTRA – Centro de Astrofísica e Gravitação, IST, Universidade de Lisboa, Portugal, pgarcia@fe.up.pt, telm: 963 235 785), S. F. Honig (School of Physics and Astronomy, University of Southampton, Reino Unido), J. Kammerer (Observatório Europeu do Sul, Garching, Alemanha), L. Kreidberg (Instituto Max Planck de Astronomia, Heidelberg, Alemanha), S. Lacour (LIRA, Observatoire de Paris, Université PSL, CNRS, Sorbonne Université, Université de Paris, Meudon, França), J.-B. Le Bouquin (Univ. Grenoble Alpes, CNRS, IPAG, Grenoble, França), E. Mamajek (Jet Propulsion Laboratory, California Institute of Technology, Pasadena, California, EUA), M. Nowak (LIRA), T. Paumard (LIRA), C. Straubmeier (1º Instituto de Física, Universidade de Colónia, Alemanha), N. van der Marel (Leiden) e Colaboração exoGRAVITY.
O Observatório Europeu do Sul (ESO) ajuda cientistas de todo o mundo a descobrir os segredos do Universo, o que, consequentemente, beneficia toda a sociedade. No ESO concebemos, construímos e operamos observatórios terrestres de vanguarda — os quais são usados pelos astrónomos para investigar as maiores questões astronómicas da nossa época e partilhar com o público o fascínio pela astronomia — e promovemos colaborações internacionais em astronomia. Fundado em 1962 como organização intergovernamental, o ESO é hoje apoiado por 16 Estados Membros (Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, Chéquia, Suécia e Suíça), para além do Chile, o seu país de acolhimento, e da Austrália como Parceiro Estratégico. A Sede do ESO e o seu centro de visitantes e planetário, o Supernova do ESO, situam-se perto de Munique, na Alemanha, enquanto o deserto chileno do Atacama, um lugar extraordinário com condições únicas para a observação dos céus, acolhe os nossos telescópios. O ESO mantém em funcionamento três observatórios: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera o Very Large Telescope e o Interferómetro do Very Large Telescope, assim como telescópios de rastreio, tal como o VISTA. Ainda no Paranal, o ESO acolherá e operará a rede sul do Cherenkov Telescope Array Observatory, o maior e mais sensível observatório de raios gama do mundo. Juntamente com parceiros internacionais, o ESO opera o ALMA no Chajnantor, uma infraestrutura que observa o céu milimétrico e submilimétrico. No Cerro Armazones, próximo do Paranal, estamos a construir “o maior olho do mundo virado para o céu” — o Extremely Large Telescope do ESO. Dos nossos gabinetes em Santiago do Chile, apoiamos as nossas operações no país e trabalhamos com parceiros chilenos e com a sociedade chilena.
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Contactos
Chloe Lawlor
University of Galway
Galway, Ireland
Email: c.lawlor13@universityofgalway.ie
Christian Ginski
University of Galway
Galway, Ireland
Email: christian.ginski@universityofgalway.ie
Richelle van Capelleveen
Leiden Observatory, Leiden University
Leiden, the Netherlands
Email: capelleveen@strw.leidenuniv.nl
Guillaume Bourdarot
Max Planck Institute for Extraterrestrial Physics
Garching, Germany
Tel: +498930000-3295
Email: bourdarot@mpe.mpg.de
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Margarida Serote (Contacto de imprensa em Portugal)
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e Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço,
Tel: +351 964951692
Email: eson-portugal@eso.org
Sobre a Nota de Imprensa
| Nº da Notícia: | eso2604pt |
| Nome: | WISPIT 2b, WISPIT 2c |
| Tipo: | Milky Way : Star : Circumstellar Material : Disk : Protoplanetary |
| Facility: | Very Large Telescope, Very Large Telescope Interferometer |
| Instrumentos: | GRAVITY+, SPHERE |
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